Arquivo do mês: agosto 2010

Eles

…Da mesma forma como eu fui me tornando mãe lentamente durante toda a  gravidez, o Leo foi  tornando-se  pai aos poucos depois do nascimento do nosso bebê.

Ilusão querer achar que ele amava aquela sementinha da mesma forma que ama hoje o seu garotão. Ele tinha carinho, tinha medo que  algo acontecesse com a gente, imaginava situações,  falava com o Vini na barriga. De alguma forma, isso me incomodava quando estava grávida. Chegou um momento que eu queria que ele sentisse a paternidade com o mesmo amor de mãe que eu tinha pelo nosso bebê e muitas vezes me entristeci por criar expectativas. Ele falava com todo o carinho, que pra ele era diferente,  ainda sentia-se na platéia.

Até que um dia ele escreveu esse texto aqui, preocupado com o espaço da casa, a educação que daria, os horários que teria com o cotoquinho de menos de 40 cm na época… Do seu modo, se descobrindo pai, mas ainda sem saber o quão invadido seu coração seria, e eu a cada dia tendo mais certeza que o meu filho não poderia ter um pai melhor.

E ai chegou o nosso RN em casa, ainda tão dependente da mamãe, mas que todos os dias e em pequenas doses, sentia um colo peludo e meio desajeitado, mas com um toque e uma voz familiar, que o acalmava quando não era fome, que o acolhia em seu duplex (brincadeira nossa em relação ao seu peitoral), que cantava aquela canção de ninar sem nexo nenhum. Ambos se descobrindo e criando uma intimidade maior a cada dia, no jeito e no tempo deles.

E os meses foram passando e quem fica na platéia agora sou eu, feliz, realizada, acompanhando os homens da minha vida se amarem cada dia mais. O Vinícius demonstrando com perninhas balançantes e olhar eufórico a chegada do papai do trabalho; o Leo todo bobo falando que o nosso 70 cm de gente é a razão da vida dele.

Passei nove meses gerando o nosso pequeno, me fiz mãe, construímos nossa família. Passaram-se mais  nove meses  e vejo um pai dedicado, zeloso e apaixonado, nascendo a cada dia…

E respondendo o que ele ainda não sabia naquela época do seu texto:

Como sonho com esse sorriso largo e banguela! Será delicado e encantador como o da mamãe? Ou será meticulosamente planejado como o do papai?

Totalmente igual ao do papai.  Sorriso que, sendo planejado ou não,  genuinamente desperta o meu melhor amor, o amor que sinto por vocês.



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