Arquivo do mês: junho 2010

Filhos, planos e uma pausa deliciosa

Sábado passado estava assistindo ao programa da Angélica e ela conversava com Gloria Maria sobre a adoção que a repórter fez de duas meninas há um tempo atrás. No meio da conversa, a Glória Maria falou que achava ter sido mãe no momento certo de sua vida, porque já tinha realizado todos os seus desejos que talvez um filho a tivesse impedido, por ter que dedicar tempo a ele.

E durante uma grande parte da vida a gente escuta “Só deixe pra ter filhos depois que estiver estabilizada profissionalmente e depois que estiver curtido bastante a sua vida”.

Parei, juntei a Gloria com o resto do mundo que diz que a “hora certa existe” e pensei: Ta bom, e eu que ainda não terminei a minha faculdade, não coloquei a minha mochila nas costas e viajei o mundo inteiro, não tomei todos os porres que queria ter tomado, não passei naquele concurso almejado? Que engravidei sem planejar? Já posso pegar a corda e me enforcar? Já posso ser a desvairada que engravidou e perdeu todas as oportunidades e motivações para ainda conquistar algo? Será que estou impedida, por ter sido mãe, de tantas coisas que ainda desejo realizar??

Ai ai…comecei a fazer do drama, poesia.

Poderia ser uma grande gestora ambiental da Petrobrás se não tivesse engravidado e passado no concurso dos sonhos, ao invés disso, sou gestora do espaço que as pessoas que mais amo habitam.  Poderia passar as noites na diversão com as minhas amigas, mas passo a noite toda amamentando setenta centímetros de um pedacinho de gente faminto. Poderia também morar em um albergue na Alemanha, mas estou aqui com endereço fixo, dormindo em uma cama quentinha. Eu poderia ter escolhido ser mãe com quarenta e seis anos, depois de ter vivido tudo que a Gloria Maria viveu e um pouco mais, ou pelo menos a metade, mas escolhi ser mãe vinte anos mais cedo (sim, apesar de não planejado, eu escolhi) Abri mão daquilo que escutei uma vida inteira: Primeiro a sua realização, depois filhos…

Refleti, refleti, refleti e só consegui chegar a uma conclusão: Por que ninguém nunca falou que mesmo eu adiando meus planos eu não seria uma infeliz?? Que o contrário também poderia acontecer? Tipo: Ana, se um dia você for pega de surpresa, se prepare porque você sentirá e viverá os melhores anos da sua vida, porque seu filho vai te fazer sentir a pessoa mais realizada do mundo e mais nada nessa vida importará além da felicidade dele.

Filho não impede o progresso de ninguém, ao contrário, ele chega como amuleto, anjo de luz, bilhetinho da felicidade. Quando somos mães, uma força em algum lugar do universo se move para que as coisas possam dar certo, acreditem. Não creio que deixarei de realizar o que ainda planejo pra minha vida, estou somente em uma “pausa deliciosa” e vivendo um outro momento com novos planos para o futuro que agora inclui um ser muito amado.

Glória querida, inda bem que você percebeu isso a tempo e deu um belo freio na vida profissional. Como foi lindo escutar você dizer que amamentou a sua filha adotiva no peito, emocionei.

A entrevista com a Gloria Maria, clica aqui.

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Você só precisava ficar junto

Quanto tempo eu não escrevo aqui, quanto tempo. Hoje lendo blogs de outras mães, senti tanta saudades de falar de você, de nós dois. Ainda é do mesmo jeito filhote, toda vez que a mamãe pensa em escrever algo sobre você, minha garganta trava…E eu choro feliz , de tanto te amar, as minhas melhores lágrimas.

Nesse momento, você dorme aqui do ladinho, no colchão inflável do supermercado que você escolheu pra ser seu novo berço, acompanhado de um barulhinho de chuva e das batidas das tecladas da sua mae nerd-viciadaeminternet-tuiteradozinferno. Você abandonou seu berço e a sua “solidão” bebê, custou a mamãe entender que você queria o calor, a companhia e o cheiro dela 24h por dia, custou.

Se você vai ser um dependente emocional ou frustrado que não sabe lidar com perdas e decepções eu não sei pequerrucho, alguns dizem que dormir com os pais transforma um bebê em um adulto com essas características,nao creio. A única certeza que tenho no momento é que você é uma criança feliz, que não chora 3.458 vezes por três horas seguidas antes de cochilar e acordar durante todo o resto da madrugada aos gritos procurando por mim. Agora você acorda tranquilo, vira a cabecinha e me olha esticando as mãozinhas em meu rosto para que eu acorde, depois você sorri e faz o biquinho do mamar.

Pra que ter medo de um adulto frustrado que nem sei se vai existir, se posso ter um pedacinho de gente satisfeito por ter minha companhia nos momentos que ele julga necessário?? Como sua mamis era bestinha. O que importa é o nosso bem estar. Você precisa de mim para dormir bem e eu de você. Qual grande absurdo nisso, não é mesmo??

Quanto tempo isso vai durar? Não sei. Do mesmo jeito que um dia você vai ter que aprender a fazer xixi no penico, cortar a carne com a faca e lavar bem suas orelhas, você também vai perceber que esse colchão ficará pequeno pra nós dois e vai saber que eu estarei bem perto caso algo aconteça, você vai me liberar filho, eu sei que vai…

E quando chegar esse dia, acho que quem mais vai sofrer sou eu, por não ter mais esses dedinhos passeando pelo meus olhos, puxando o meu nariz as três da manhã, me chamando pra um mamar bem abracadinhos embaixo do edredon.

Seu papai concorda com tudo isso, ele tem o tempo dele e sabe o quanto isso tudo está sendo importante para o bem estar da nossa família. Afinal, o que adiantaria desobedecer a vontade de te ver feliz por causa de um berço gelado?

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